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A importância das Unidades de Conservação marinhas para a sociedade

Por Kelen Leite


As unidades de conservação marinhas desempenham um papel fundamental na conservação da biodiversidade, na segurança alimentar com a reposição de estoques pesqueiros, auxiliam na regulação do clima, fixam carbono, além de prestar diversos outros serviços ecossistêmicos e de bem-estar, como o ecoturismo.


Nesse mês de agosto, aniversário do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vamos falar do mar e de como o órgão contribui para o desenvolvimento sustentável por meio da conservação da biodiversidade e gestão do território marinho nas unidades de conservação. Estamos na Década do Oceano (2021 a 2030), definida pelas Nações Unidas para alavancar a ciência oceânica, base para o desenvolvimento sustentável e bem-estar da humanidade.


Cada unidade de conservação marinha funciona como um centro catalisador construindo uma governança participativa desses territórios, incentivando e dando suporte à pesquisa marinha, fazendo gestão da pesca, seja por meio da fiscalização de pesca ilegal ou do ordenamento pesqueiro para exploração sustentável dos recursos nas unidades onde esses usos são permitidos. Os territórios marinhos com usos restritos, ordenados e fiscalizados são fundamentais para monitoramentos ambientais, pois servem de área controle para ensaios científicos, geram dados sobre o clima, condições de mar, produção pesqueira, mudanças climáticas e serviços ecossistêmicos, fatores que interferem diretamente na economia dos países.


Valorizamos o nosso maior ecossistema, chamado de Amazônia Azul, pela importância estratégica que tem para soberania do país, aproximando a sociedade desse Brasil novo, que representa um terço do território nacional e é praticamente desconhecido por grande parte dos brasileiros, por meio do incentivo ao turismo náutico, mergulho, observação de fauna marinha e diversas estratégias de sensibilização e educação ambiental.

Ilha de Alcatrazes
Ilha de Alcatrazes, São Sebastião/SP. Foto: Leandro Coelho.

Quando falamos de sensibilização e educação ambiental, como não lembrar do papel do ICMBio na conservação das espécies marinhas, como a tartaruga marinha, que despertou nos brasileiros a conscientização sobre a problemática de resíduos sólidos no mar? Quem não lembra da imagem da tartaruga se alimentando da sacolinha plástica? É quase impossível mensurar essa contribuição para formação de consciência das gerações atuais que aprenderam a se encantar por esses animais e perceber o ambiente que eles vivem, e como as pessoas interagem com esse ambiente.


Alcatrazes representa duas dessas unidades marinhas geridas pelo ICMBio: a Estação Ecológica Tupinambás e o Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, que estão na região mais desenvolvida, e por consequência, a maior utilizadora de recursos naturais do País. As unidades sofrem com a poluição, espécies exóticas e com a degradação do oceano, como o mundo todo, mas que representam aquela ilha de esperança, vista ao longe no horizonte marinho, onde a revoada das aves nos transporta para outro tempo, e nos permite enxergar o mar com outro prisma, inexplicável na narrativa e totalmente compreensível na experiência.

Aves sobrevoando a Ilha de Alcatrazes
Aves sobrevoando a Ilha de Alcatrazes, São Sebastião/SP. Foto: Leandro Coelho.

Esse encantamento despertado em pesquisadores, servidores, colaboradores, conselheiros, operadores de turismo, imprensa e sociedade colocam Alcatrazes na vanguarda da conservação marinha do país. A partir do momento que a gestão é respaldada cientificamente, demandada e apoiada pela sociedade e feita com engajamento e comprometimento da equipe e parceiros, cria-se condições de enfrentamento dos desafios de conservação marinha que passam pelo desenvolvimento sustentável.



Quando falamos de unidades marinhas também falamos de pertencimento e de encantamento, sentimentos humanos que movem e transformam o mundo, geram reflexões, criam mentalidades. E assim seguimos, dando a nossa contribuição para a humanidade, cuidando e despertando cuidado com nossos pequenos pedaços do Oceano.


Sobre a autora:

Kelen Luciana Leite é Analista Ambiental e chefe do Núcleo de Gestão Integrada do Arquipélago dos Alcatrazes - ICMBio Alcatrazes. Bióloga com pós-graduação em Ecologia Aplicada, trabalha há 15 anos com planejamento e gestão de unidades de conservação no ICMBio em atividades como elaboração e funcionamento de conselhos consultivos, elaboração e implementação de plano de manejo, criação de unidades de conservação marinha, e planejamento e implantação de uso público.

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