Antes de chegar lá, precisamos estar vivas

Por Marina Dale
Peço licença para começar esse texto com duas histórias.
A primeira é a de Maria, uma mulher cearense, farmacêutica bioquímica que fez mestrado em Parasitologia na USP. Durante o mestrado, conheceu um rapaz por quem se apaixonou. Dois anos depois, eles se casaram e, juntos, tiveram três filhas.
Quase dez anos depois, uma relação que já estava conturbada, marcada por escaladas de violência do marido contra ela e as filhas, seguidas de momentos de carinho, tomou um rumo ainda mais sinistro. Maria acordou com uma dor absurda em uma noite. Tinha sido baleada pelas costas enquanto dormia.
O tiro, disparado pelo marido, provocou lesões irreversíveis e a deixou paraplégica. O marido mentiu que o ocorrido tinha sido uma tentativa de assalto à família. Quatro meses depois, quando Maria voltou para casa, após cirurgias, internações e tratamentos, ele a manteve em cárcere privado e tentou eletrocutá-la durante o banho.
Outro caso é o de Mari. Uma jovem de 21 anos vai a uma festa, como já tinha ido tantas vezes. Ela aproveita o rolê até que, do nada, só tem lapsos da própria memória. Quando volta a si, está descendo as escadas de uma área privada da balada. Ela foi entender que tinha sido dopada e estuprada não muito depois.
Depois daquele momento, passou a conviver com síndrome do pânico, estresse pós-traumático, fobia social, terror noturno e depressão. Mas a violência não terminou quando ela saiu daquele episódio.
Ela continuou dentro do sistema de Justiça. Durante a audiência, sua vida pessoal, seu corpo e suas fotografias foram utilizados para tentar descredibilizar seu relato. A cobertura jornalística da audiência registrou uma atuação da defesa que humilhou a vítima e uma discussão em torno de uma suposta tese de “estupro culposo”, expressão que se tornou conhecida justamente por sintetizar o absurdo daquele debate público.
Algumas histórias de violência contra mulheres acabam se tornando símbolos.
Foi o caso dessas duas.
Quando isso acontece, elas passam a revelar coisas sobre a sociedade que permitiu que aquela violência acontecesse.
O primeiro caso ocorreu em 1983. Foram necessários anos de luta até que o Estado brasileiro finalmente reconhecesse a gravidade do que havia acontecido. O caso chegou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que responsabilizou o Brasil por negligência e demora. A violência sofrida por uma mulher acabou se transformando em um dos principais marcos jurídicos brasileiros de enfrentamento à violência doméstica: a Lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha. (1)
Já o segundo caso implicou a criação da Lei nº 14.245/2021, conhecida como Lei Mariana Ferrer, que estabelece mecanismos para impedir atos que atentem contra a dignidade de vítimas e testemunhas, especialmente em processos envolvendo crimes sexuais. A lei determina que as pessoas presentes nas audiências respeitem a integridade física e psicológica da vítima e proíbe manifestações, linguagem ou materiais que ofendam sua dignidade. (2)
Duas mulheres e duas histórias que ultrapassaram a esfera individual e ajudaram a produzir mudanças institucionais.
Mas quantas não chegaram até aqui?
Quantas mulheres sofreram violência e nunca tiveram seus nomes conhecidos?
Quantas morreram antes que alguém pudesse transformar sua história em lei?
E quantas sobreviveram — mas precisaram continuar vivendo com medo?
Agora voltamos à Liga.
O trabalho que fazemos na Liga das Mulheres pelo Oceano é, evidentemente, fortalecer o protagonismo feminino na ciência, conservação, pesquisa, gestão, política ambiental e tomada de decisão.
Queremos abrir caminho e reforçar a potência do que já existe e do que temos construído.
E isso também passa por entender que o feminismo não é só sobre cuidar de nós mesmas. É sobre cuidar do ambiente que nos cerca e do qual dependemos.
É sobre enxergar que as formas de dominação não acontecem de maneira isolada. A exploração dos corpos das mulheres, dos territórios e da natureza está atravessada por relações de poder. Pensar justiça ambiental também é pensar quem tem poder para decidir, quem é ouvido, quem é protegido e quem acaba pagando a conta.
Queremos que mulheres ocupem espaços de poder. Queremos reconhecer e amplificar trabalhos extraordinários que já estão sendo feitos por mulheres.
Mas existe uma condição anterior a tudo isso.
Precisamos estar vivas.
Precisamos estar saudáveis.
Precisamos ter condições materiais e psicológicas de existir.
E, por isso, é impossível discutir protagonismo feminino sem discutir a sociedade estruturalmente machista e patriarcal em que estamos inseridas.
Uma sociedade que historicamente ensinou mulheres a ocuparem menos espaço — literal e simbolicamente.
A sermos menores, mais magras.
A termos menos força.
A falar menos.
A pedir desculpas.
A duvidar da própria memória.
A desconfiar do próprio corpo.
A questionar se aquilo que vivemos foi realmente violência.
E, quando finalmente reconhecemos que foi, muitas vezes precisamos enfrentar uma segunda violência: provar que foi.
Provar para a família. Para amigos. Para a polícia. Para o Judiciário.
E a violência contra mulheres não termina necessariamente quando o agressor vai embora.
Ela pode continuar no medo. Na dependência financeira. Na mudança de cidade. Na perda do emprego. Na necessidade de trocar os filhos de escola. Na dificuldade de conseguir moradia. No trauma. Na vergonha que nunca deveria ser da vítima. E na necessidade de reconstruir uma vida inteira.
Em 2025, o Brasil registrou 1.568 feminicídios, o maior número da série histórica desde a tipificação do crime, em 2015. Isso significa aproximadamente quatro mulheres assassinadas por razões de gênero todos os dias. (3)
Mas existe todo um número de mulheres que sofreu uma tentativa de feminicídio e sobreviveu. E sobreviveu como?
Com sequelas físicas.
Com traumas.
Com medo.
Com depressão.
Com síndrome do pânico.
Com necessidade de fugir.
Com filhos para proteger.
Com uma vida inteira para reorganizar.
Especialmente quando não conseguiu acionar uma rede de proteção contra o homem que a violentou.
Então, quando a gente fala em violência contra mulheres, não podemos olhar apenas para quem morreu.
Precisamos olhar também para quem quase morreu.
Para quem sobreviveu.
Para quem denunciou.
Para quem não denunciou.
Para quem conseguiu sair.
Para quem ainda está tentando.
E isso é uma questão de segurança pública. Porque denunciar não é simplesmente apertar um botão.
Depois da denúncia, o que acontece?
Onde essa mulher vai morar?
Quem busca os filhos na escola?
Ela consegue continuar trabalhando?
Ela consegue pagar o aluguel?
Ela tem dinheiro para transporte?
Tem uma rede de apoio?
Tem onde dormir?
Quem acompanha o agressor?
Quem fiscaliza a medida protetiva?
Quem garante atendimento psicológico?
Quem garante atendimento jurídico?
Quem garante que ela não vai perder o emprego?
Falamos muito sobre a importância de denunciar, mas precisamos falar também sobre o que vem depois da denúncia.
Porque, muitas vezes, estamos pedindo que uma mulher desmonte a própria vida para conseguir sobreviver.
E é justamente por isso que a proteção não pode ser pensada como uma medida isolada.
Entre 2021 e 2024, 66,3% dos feminicídios ocorreram dentro da residência e, nos casos em que a autoria era conhecida, 80,7% dos autores eram companheiros ou ex-companheiros. (3)
Isso reforça uma coisa que parece óbvia, mas que ainda precisamos repetir: segurança para mulheres não pode significar apenas segurança nas ruas. E que, portanto, uma vigilância por drone definitivamente não contribui com combate à violência contra a mulher.
A mulher precisa estar segura dentro da própria casa. No trabalho. Na universidade. No laboratório. Em campo. Embarcada. Na internet. Na política.
E apesar de a violência contra a mulher ser generalizada, é preciso olhar para seu recorte de classe e de raça.
Entre 2021 e 2024, 62,6% das vítimas de feminicídio eram mulheres negras. (3)
E, quando olhamos para mulheres quilombolas, indígenas, rurais e de comunidades tradicionais, outras barreiras aparecem.
Falta sinal de telefone.
Falta transporte.
Falta iluminação.
Falta acesso aos serviços públicos.
Uma reportagem da AzMina mostrou que, entre 2018 e 2022, nove mulheres quilombolas foram assassinadas e todos os casos registrados pela Conaq foram classificados como feminicídio. A média anual de mortes de mulheres nesses territórios mais que dobrou em relação ao período anterior (4).
A política pública precisa chegar antes da tragédia.
Em 2026, a Lei Maria da Penha completou vinte anos.
Quando a lei entrou em vigor, o Brasil praticamente não tinha a estrutura institucional que existe atualmente para lidar com violência doméstica: faltavam varas especializadas, protocolos, mecanismos de avaliação de risco e políticas nacionais articuladas de enfrentamento.
Vinte anos depois, houve avanços importantes.
Nos doze meses encerrados em maio de 2026, 85% das decisões sobre medidas protetivas foram analisadas em até 24 horas. Foram 675.969 decisões no período. (5)
Isso é avanço. Mas o próprio volume também mostra a dimensão do problema. Porque a política pública precisa existir antes da tragédia.
A punição e a ação do Estado muitas vezes só acontecem quando a violência já aconteceu. Depois que ela foi agredida. Depois que ela foi estuprada. Depois que ela foi ameaçada. Depois que ela quase morreu. Depois que ela morreu.
Precisamos responsabilizar quem comete crimes. Mas precisamos conseguir agir antes. Antes que uma mulher precise desaparecer para ser levada a sério.
E é aí que entra a prevenção. A proteção. O monitoramento. A moradia. A renda. A saúde. A educação. A assistência social. A creche. O atendimento psicológico. A rede comunitária. A estrutura de Justiça. A fiscalização das medidas protetivas. Tudo isso também é segurança pública.
E enquanto tentamos construir políticas de proteção, existe também uma economia política da misoginia.
A chamada machosfera, incluindo comunidades associadas à cultura “red pill”, não é apenas um conjunto de homens falando coisas desagradáveis na internet.
Existe produção sistemática de conteúdo. Existe algoritmo. Existe audiência. Existe venda de cursos, livros, consultorias, assinaturas, publicidade e doações. Existe dinheiro circulando. (6)
No Brasil, isso ganha contornos ainda mais preocupantes quando há conexão entre projetos políticos e a indústria de produção audiovisual. Um exemplo desse caso é o da Brasil Paralelo, que foi alvo de uma investigação do Ministério Público do Ceará após um documentário sobre Maria da Penha utilizar um laudo falso para atacar a ativista. (7)
Uma pesquisa do NetLab/UFRJ em parceria com o Ministério das Mulheres analisou dezenas de milhares de vídeos e identificou a transformação de discursos de aversão, desprezo e controle das mulheres em produtos. Outro levantamento do laboratório apontou que cerca de 80% dos canais brasileiros analisados ligados à machosfera utilizavam alguma forma de monetização. (8)
Então vale perguntar: quem ganha dinheiro quando homens aprendem a odiar mulheres? E quem paga essa conta?
Porque a misoginia não fica só na tela.
Ela pode se transformar em assédio.
Em perseguição.
Em violência sexual.
Em violência doméstica.
Em violência política de gênero.
Em feminicídio.
Por isso, discutir a saúde das mulheres também significa discutir o ambiente informacional em que crianças estão crescendo.
E quando o Estado dificulta o acesso ao cuidado, à justiça?
Além do emblemático caso de Mariana Ferrer, o caso do Hospital e Maternidade Vila Nova Cachoeirinha é exemplar nesse sentido.
O hospital tinha um serviço de referência para atendimento a vítimas de violência sexual e interrupção legal da gestação. O serviço foi suspenso em dezembro de 2023. A história foi investigada pela série de podcasts Sala de Espera, da Rádio Novelo, que acompanha justamente os conflitos envolvendo o fechamento do serviço, o aborto legal e a atuação de entidades municipais e médicas, como a Prefeitura de São Paulo e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, além de grupos contrários ao procedimento. (9)
De que adianta dizer que determinado procedimento é legal se a mulher precisa atravessar uma cidade inteira para encontrá-lo? De que adianta existir uma política pública se ela não chega à mulher pobre? À adolescente? À mulher negra? À vítima de estupro? À mulher que não tem dinheiro para transporte, advogado ou tempo para faltar ao trabalho?
Direito que não consegue ser acessado deixa de ser direito na prática.
Então o que fazer depois que a violência acontece e, principalmente, como construir condições para que ela não chegue até esse ponto? Como garantir uma arquitetura do cuidado que não apareça apenas na emergência, mas acompanhe essa mulher no longo prazo? Quem garante que uma mulher que conseguiu denunciar uma agressão sobreviva?
Isso também passa por responsabilizar quem comete crimes.
Mas responsabilização não pode ser confundida com uma política pública baseada apenas em punição.
De que adianta aumentar a pena se não há fiscalização? Se o agressor não acredita que será responsabilizado? Se a mulher não consegue acessar a rede de apoio? Se a medida protetiva não funciona? Se a violência acontece antes de qualquer resposta do Estado?
Então, quando um candidato apresenta simplesmente uma nova promessa de “endurecimento” da punição, precisamos perguntar: o problema é realmente a falta de pena?
E assim, chegamos às eleições.
O primeiro turno de 2026 já passou. E socorro, né? Olha onde estamos.
É verdade que mulheres precisam votar em mulheres. Eleger mulheres é importante, mas não é suficiente. Porque também temos mulheres eleitas que se contrapõem ao feminismo, negam o feminicídio e atuam politicamente contra pautas fundamentais para nossa própria proteção.
O Brasil tem 6 milhões de mulheres a mais do que homens, segundo o Censo do IBGE de 2022. E nós também somos maioria eleitoral. Em 2026, são 83,8 milhões de eleitoras contra 74,8 milhões de homens. As mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro. (10)
Ou seja: somos maioria entre quem vota.
O que estamos fazendo com esse poder?
Agora temos Lula e Flávio Bolsonaro disputando a Presidência no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
E existe uma coisa muito simples que é importante a gente olhar: o que os candidatos estão propondo. Não apenas o discurso de campanha. Olhemos para os programas. Para os orçamentos. Para quem eles colocam nas equipes. Para quais políticas públicas pretendem manter, ampliar ou desmontar. Para quem estão nomeando. Para como tratam mulheres. Para como tratam a ciência. Para como tratam minorias. Para como tratam vítimas. Para como tratam a própria democracia.
No debate atual, as duas campanhas apresentam propostas bastante diferentes para a segurança das mulheres. (3)
O programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva apresenta a continuidade do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios como guia da política de combate à violência contra as mulheres. O documento prevê a conclusão de 30 Casas da Mulher Brasileira e 15 Centros de Referência da Mulher Brasileira, além da ampliação das Salas Lilás e do monitoramento de agressores. O Pacto Brasil entre os Três Poderes, lançado em fevereiro de 2026, estabeleceu como prioridades a celeridade das medidas protetivas, a responsabilização dos agressores, o fortalecimento da rede de acolhimento e atendimento e a mudança cultural.
Já a campanha de Flávio Bolsonaro apresenta propostas como o uso de inteligência artificial no combate ao feminicídio e defende a chamada “castração química” para condenados por estupro e abuso sexual de crianças. O que é no mínimo contraditório dado que esse miliciano não só está envolvido com um dos condenados pelo assassinato de Marielle Franco (13), mas também defendeu um policial militar acusado de participar da morte de uma menina de cinco anos (14) e tem como candidato a seu vice um homem acusado por ter estuprado uma criança (15).
Além disso, a castração química parte de uma premissa equivocada: a de que a violência contra mulheres seria explicada principalmente por uma motivação sexual.
Mas violência de gênero também é controle, poder, dominação, posse, punição. É a ideia de que uma mulher não tem o direito de dizer não, sair, terminar, ocupar um espaço, ter autonomia ou simplesmente existir sem se submeter.
O período eleitoral é uma oportunidade importante para ampliar essa discussão. De que é preciso construir condições para que uma mulher consiga sobreviver à violência antes que ela se transforme em feminicídio. De perguntar quais políticas reduzem a chance de uma mulher morrer amanhã. De entender que a segurança começa quando uma mulher consegue falar. Quando uma ameaça é levada a sério. Quando uma medida protetiva funciona. Quando existe atendimento de saúde. Quando existe aborto legal acessível. Quando existe uma polícia preparada, humanizada e não truculenta. Quando existe um Judiciário que não humilha a vítima.
Então, o que fazemos?
Não há resposta simples. E acho perigoso quando alguém promete uma. Mas acredito que existe um primeiro passo: acolhimento. Acolher a nós mesmas. Acolher umas às outras. Acreditar que a violência que sofremos foi violência. E entender que acolhimento individual não basta.
Estamos diante de um problema sistêmico.
E problemas sistêmicos precisam de respostas sistêmicas.
Precisamos de políticas públicas, orçamento, dados, profissionais preparadas.
Precisamos de mulheres ocupando espaços de decisão e preocupadas com a pauta feminista.
Precisamos de homens comprometidos com essa mudança.
Precisamos de instituições que funcionem.
Precisamos de democracia.
Precisamos de informação confiável.
E, nas vésperas deste 12 de outubro, dia de celebrar Nossa Senhora Aparecida, representada enquanto uma mulher negra, eu, que não sou religiosa, consigo pensar no significado político e simbólico dessa data: não é preciso compartilhar uma fé para compartilhar a defesa da vida.
Então bora continuar se mobilizando. Bora defender a democracia. Bora defender a soberania brasileira e as nossas eleições diante de qualquer tentativa de interferência estrangeira. Bora defender o direito de votar e da escolha informada e responsável. Bora cobrar de quem elegemos. Bora ocupar espaço. Bora abrir espaço. Bora viver sem medo. Bora escolher nossas próprias vidas. Bora construir o futuro que acreditamos ser possível.
É por isso que falar de mulheres, ciência, oceano, conservação e liderança também é falar de violência.
Porque antes de perguntar “onde estão as mulheres?”, precisamos garantir que possamos chegar lá.
E permanecer.

Marina Vieitas Dale é bióloga pela USP e mestranda em ecologia pela UNICAMP, pesquisando manguezais em áreas protegidas no Brasil. É integrante da Liga das Mulheres pelo Oceano e colaboradora da newsletter.



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