GT Mulheres Negras em ação: Encontro no Quilombo da Fazenda
- Mariana Lopes Campagnoli
- há 1 dia
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Por Barbara Pinheiro
A imersão no Quilombo da Fazenda, em Ubatuba, ocorrida durante o final de semana 23 e 24 de maio, foi descrita pelas participantes do Grupo de Trabalho (GT) de Mulheres Negras como uma experiência de profundo impacto emocional e aprendizado ancestral. O encontro proporcionou uma vivência que uniu o conhecimento acadêmico aos saberes tradicionais, reforçando o sentimento de aquilombamento entre as mulheres da Liga, tudo com o financiamento e suporte da BWEEMS através do apoio para realização de encontros regionais das mulheres negras nas ciências marinhas ecologia e evolução.

Os principais pontos destacados no relato da imersão incluem:
A Força de Dona Laura: A presença e o discurso de Dona Laura foram os momentos mais marcantes. Ela compartilhou a história de resistência do quilombo contra as violências sofridas desde a criação do Parque Estadual da Serra do Mar, relatando o episódio traumático em que teve sua casa derrubada pelas autoridades enquanto estava grávida e cuidava de cinco ou seis filhos. Aos cerca de 70 anos, Dona Laura foi descrita como um "banho de força" e um exemplo vivo de resistência ancestral.

Preservação e Meio Ambiente: As participantes ficaram impressionadas com o estado de conservação do local, notando a ausência de lixo no manguezal. Esse cenário foi atribuído ao trabalho contínuo das comunidades quilombolas na preservação do território, contrastando com a imagem de urbanização intensa de outras partes do litoral paulista.
Conflitos Territoriais e Desafios Sociais: Apesar da beleza e preservação, o relato trouxe preocupações críticas. A comunidade ainda luta pela titulação de suas rras e enfrenta pressões de especulação externa. Houve também uma reflexão sobre o "embranquecimento" do quilombo e como os impactos socioambientais afetam a permanência dos jovens no território.

Integração e Troca Cultural: A imersão não foi focada em coleta de dados técnicos, mas sim na vivência e no afeto. Houve momentos de descontração com vinho, conversas e poesias, onde as integrantes puderam compartilhar sonhos e desejos para o futuro do GT. Uma das propostas surgidas foi o uso de ferramentas de comunicação comunitária para que os próprios jovens do quilombo possam relatar os impactos das mudanças climáticas e do racismo ambiental em seu território.

Essa imersão serviu como um combustível renovador para as pesquisadoras, permitindo que elas saíssem do ambiente acadêmico para aprender com quem vive a natureza na prática.