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Liga: 5 anos!

Por Elisa Homem de Mello


A Liga nasceu no dia 8 de março de 2019, quando cerca de 30 mulheres se reuniram para tornar realidade o sonho idealizado por 3 delas (a fotógrafa, Bárbara Vieira; a bióloga, Leandra Gonçalves e a jornalista ambiental, Paulina Chamorro): de que a habilidade de todas juntas poderia ser de grande valia para comunicar a importância de proteger o oceano. Elas tinham muito para contar e uma vontade incrível de fazer acontecer. E aconteceu! Nasceu a Liga das Mulheres pelo Oceano.


Em seu primeiro aniversário, realizado no Espaço Unibes Cultural, a Liga conheceu mais sobre a própria Liga: quantas éramos, aonde estávamos, o que fazíamos e qual era a média de idade do grupo. Em apenas um ano, a Liga já era um movimento que contava com uma rede de 278 mulheres espalhadas pelo Brasil. E, segundo as estatísticas levantadas pelos questionários de filiação enviados até um mês antes, o que mais nos unia ao oceano eram a profissão e o amor. Nesta mesma avaliação, a Liga já contabilizava mulheres em mais de 51 profissões diferentes. No mês seguinte, a Liga já enfrentava um grande desafio: a pandemia instaurada no mundo pela Covid. Por isso, o aniversário do segundo ano da Liga ficou só no virtual, mas contou até com show de música naquilo que era o nosso “ao vivo”.


Ao longo destes anos, foram diversas as campanhas de advocacy ou conscientização, e tantas outras, apoiando e ajudando a divulgar e a combater a poluição marinha. A Liga é ação! O verbo agir está dentro de todas as suas integrantes. São muitas as ações que a Liga promove ou que a Liga chancela, são muitas as matérias, nos mais variados meios de comunicação, em que a Liga se manifesta, se posiciona, toma a linha de frente. Estas ações movem caminhos. Estes bons exemplos arrastam multidões.


Hoje, a Liga é regida por seu 1º Estatuto, que a denomina como uma rede cuja finalidade é integrar esforços para a emancipação das mulheres e atuar pela conservação do oceano. Mais: que as mulheres da Liga são todas dedicadas às causas voltadas à conservação do oceano, por meio de ações políticas e sociais, baseadas na democracia e no ecofeminismo, na diversidade de opiniões e livre de preconceitos. Por fim, mas não menos importante, com uma visão a partir da ótica da experiência feminina. O que faz toda diferença, claro!


Passados 5 anos, a Liga ainda tem muitos desafios pela frente, mas já com tanto a celebrar. Atualmente, mais de 2.500 mulheres, que, de uma forma ou de outra, estão ligadas pelo amor ao mar e tudo o que há nele, se dispõem voluntariamente a integrarem esforços e agirem, com base em seus skills, para ver a mulher do século XXI emancipada e em pé de igualdade em pontos críticos da sociedade atual, e para espalharem a mensagem aos quatro cantos do mundo da importância de um oceano limpo, capaz de se transformar a todo momento; um oceano digno de resiliência tal que, ao manter-se saudável, beneficia direta e indiretamente o equilíbrio de toda a biodiversidade e ecossistemas da Terra.


Sim! Este é o tamanho da importância do oceano e é também o tamanho do objetivo da Liga. Para estas mulheres, o quanto antes nos apercebermos da importância de um oceano saudável e sustentável, tanto melhor para mantermos a forma de viver que conhecemos. Caso contrário, de fato, nossa experiência por aqui irá beirar o insuportável, com temperaturas mais extremas ainda, com muitas mais catástrofes naturais e, claro!, com um prejuízo muito maior para as mulheres.


Um desperdício de muitas vidas e de um planeta tão bonito, tão raro e com tanto ainda para se descobrir. O oceano é um mundo que está em nosso cotidiano, mesmo que muitas vezes distante fisicamente de nós. “Mesmo se você nunca tiver a chance de ver ou tocar no oceano, o oceano está presente em cada respiração, cada gota de água que você bebe e em tudo o que você consome” (tradução livre), nos ensinou a oceanógrafa norte-americana, Sylvia Earle, uma mulher aquém do seu tempo e que, aos 88 anos, literalmente, veste o boné da Liga! Aliás, a Liga tem também dentre suas conquistas um dos prêmios mais esperados para a área da biologia marinha: o Prêmio Marta Vannucci - Mulher na Ciência do Oceano. Marta também foi uma mulher com pensamentos muito além dos de sua época. A italiana, radicada no Brasil, precursora da oceanografia no país, foi também a primeira mulher a se tornar Membro-Titular da Academia Brasileira de Ciências e uma das responsáveis pela construção do 1º navio oceanográfico brasileiro.


Não é tarefa pequena. Mas a Liga traz consigo o exemplo destas mulheres vanguardistas e a marca registrada de agir no coletivo feminino. E é incrível o que o poder de todas elas juntas é capaz de fazer. No final deste artigo, você poderá conhecer a opinião, os desafios e as conquistas da Liga na visão de algumas das mulheres que a viram nascer.


Para este aniversário de 5 anos, a Liga das Mulheres pelo Oceano quer comemorar com outro encontro virtual, em um papo que deve se estender das 10h ao meio-dia, no dia 9 de Março, dia em que também somos chamadas a pensar nas mulheres de todo o planeta, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher (8/03). 


Celebrar a mulher o oceano a biologia a igualdade a variedade a biodiversidade a cultura oceânica, tudo isso, a Liga celebra dia sim e dia também!  

Um oceano de parabéns!!!


Veja os depoimentos de algumas das fundadoras e membras da Secretaria Executiva da Liga:


Leandra Gonçalves, bióloga

Hoje, celebramos com alegria e orgulho as incríveis conquistas da Liga, que agora reúne mais de 2.500 mulheres, empenhadas na defesa dos mares. 

Nosso movimento não apenas cresceu exponencialmente, mas também abraçou pautas essenciais em um mundo que clama por mudanças. 

Conquistamos espaço e falamos de pautas importantes.

Nosso desafio é evoluir ainda mais… expandir inclusivamente, incorporando setores além das fronteiras, para construir um movimento mais diversificado e resiliente. O desafio é continuar unindo forças, guiando-nos para um futuro justo e sustentável.


Paulina Chamorro, jornalista

Quando nos reunimos pela primeira vez, no dia 8 de março de 2019, éramos cerca de 30 mulheres e jamais imaginaríamos que seria uma onda tão longa e constante. 

Fazer 5 anos de um movimento horizontal como é a Liga, é um grande feito no Brasil! 

Primeiro, por nosso esforço de nos juntarmos, para que cada vez mais mulheres sejam ouvidas sobre sua relação com o oceano. 

Segundo, por ser um movimento aberto, de escuta. 

Terceiro, por ter se tornado um grande hub com mulheres com um ponto em comum, que é amar o oceano. 

Dentro do nosso movimento, temos as mais diferentes profissões, vocações, intenções. Acho que isso é mágico e é um resumo do que seria hoje a Liga! 

Então, por estar aí desde o princípio da fundação e ser uma das idealizadoras, eu jamais pensaria que voaríamos tão alto, muito menos que esta onda de mulheres pudesse chegar e representar tanto, para tantas mulheres. 

É um momento de celebração de cada uma de nós, que fazemos parte e dedicamos nosso tempo de forma voluntária para este movimento lindo”.


Bárbara Pinheiro, bióloga

"Estou na Liga desde o começo 2020.

Participei dos aniversários de 1º ano da Liga em diante. 

Até então, eu só lia os emails e acompanhava a página do Instagram. Me interessei mesmo, a partir deste 1º encontro, principalmente porque já estava envolvida em várias questões da Década, pois foi em 2020 também que houve os treinamentos e as reuniões setoriais preparatórias para a Década do Oceano no Brasil. 

Em 2021, entrei para o GT da Década, assumindo nos 2 anos subsequentes a coordenação deste GT e, em 2023, também entrei para a Secretaria Executiva. 

É uma experiência maravilhosa poder conviver com mulheres poderosíssimas, acolhedoras e maravilhosas. Fiz grandes amizades, mesmo que só pela internet. 

Pessoalmente, a Liga me permitiu a realização do sonho da criação do GT de Mulheres Negras, iniciado em abril de 2023. Ainda estamos nos organizando e nos estruturando, já fizemos algumas ações e acho que este é um GT de muito potencial, pois vejo como é importante promovermos diversidade, inclusão e equidade dentro da Liga, principalmente, trazendo as regiões norte e nordeste. 

É uma missão para mim tentar contribuir com isso!"


Natalia Grilli, bióloga

"Como membra fundadora da Liga, posso dizer que nestes últimos anos realmente cresci junto com a Liga em diversas dimensões: profissionalmente, de contatos.

Não só me doei muito nestes 5 anos para a Liga, mas também tive muito retorno. Aprendi tanto, seja sobre gestão de comunidades, de movimentos - é um desafio todo este trabalho voluntário, de conscientização, comunicação sobre o oceano e engajamento de mulheres -, seja com todas as mulheres com quem eu conversei, com quem eu pude interagir, produzindo conteúdo para a Newsletter ou para o Youtube, sempre me conectando com mulheres que fazem a diferença em seus trabalhos de uma forma tão inspiradora.

A Liga me motiva muito a continuar lutando por um oceano mais sustentável e por um mundo mais justo e mais inclusivo para as mulheres."


Lygia Barbosa, cineasta

“Em 2019, fui convidada pela Paulina Chamorro para entrar na Liga, no evento de criação do movimento, no dia 8 de março, com mulheres incríveis, que marcavam ali o começo desta rede.

Quero agradecer muito, muito mesmo, por esta oportunidade! Fazer parte da Liga foi um marco na minha carreira profissional como cineasta e um mergulho na minha trajetória como mulher. Agora, são 5 anos de conexões produtivas com muita qualidade na execução do meu trabalho e no plano pessoal. Pude aprender a refletir sobre a importância da colaboração, respeito e dedicação para que a relevância das mulheres neste mundo seja reconhecida. Quem somos, o que representamos e como podemos nos fortalecer. 

Acima de tudo, estar na Liga, olhando para o mundo azul, o mar, as águas salgadas, a nossa costa e mais ainda, todo o oceano que nos conecta, minha paixão desde que nasci (sou carioca). Cresci na areia, nas ondas, no aprender a velejar com meu pai. Respeitar os limites deste ambiente tão desafiador foi e é o que me motiva a me dedicar a este movimento que cresce e que, tenho certeza, que será crucial para a conservação deste patrimônio da humanidade.


Sobre a autora:

Elisa Homem de Mello, 51, é formada em Comunicação Social/UNESP Bauru, pós-graduada em Detrito Marinho/OU NL e Economia Circular/TU Delft, há mais de duas décadas escreve sobre sustentabilidade na EBVB e colabora como coordenadora e produtora de conteúdo da Newsletter da Liga das Mulheres pelo Oceano.

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