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MIOPIA CLIMÁTICA

SÓ COM LENTES AZUIS SOMOS CAPAZES DE COMPREENDER

A IMPORTÂNCIA DO OCEANO NAS MUDANÇAS DO CLIMA


Por Elisa Homem de Mello


Inspiradas no, e pelo, Oceano, a Liga lançou em setembro a Campanha "Miopia Climática", com um olhar nada míope para a importância do Oceano em relação às mudanças climáticas.


Muito se fala em Emergência Climática e Metas Net Zero com todos os olhares voltados para os biomas terrestres, mas raramente inclui-se nessa conta o bioma marinho e costeiro. Quando pensamos desta forma, só estamos enxergando 30% do clima, uma vez que a água ocupa 70% de todo o planeta. E não considerar o Oceano seria um erro perigoso no enfrentamento às Emergências Climáticas.


O oceano fornece cerca de 50% do oxigênio que respiramos, além de ser fonte de renda, emprego e lazer para muitas pessoas. Ele é também responsável pela descarbonização, armazenando enormes quantidades de gases de efeito estufa (GEE) da atmosfera: só de carbono são 39 mil gigatoneladas! Juntos, os ecossistemas marinhos e costeiros são os maiores estoques de carbono do mundo. É o chamado Carbono Azul!


Atualmente, os níveis de CO2 no ar são os maiores já registrados. Ele e outros GEE fazem com que menos calor escape da atmosfera e isso esquenta o planeta. É o Oceano que impede que a Terra esquente. E isso, desde lá da Revolução Industrial! Até hoje, cerca de 40% do CO2 emitido foi absorvido pelo mar. Ele, inclusive, já absorveu 90% do calor causado pelo aumento dos GEE na atmosfera.


A meta de emissões zero, zero líquido ou net zero foi instituída globalmente a partir da formalização do Acordo de Paris, na 21ª Conferência das Partes (COP21) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC). Para evitar os piores impactos das mudanças climáticas, o aumento da temperatura precisa ser limitado a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Diante desse desafio, o Acordo de Paris prevê que as emissões globais de carbono devem atingir zero líquido em meados deste século.


De forma simplificada, net zero significa reduzir as emissões GEE para o mais próximo possível de zero, com quaisquer emissões remanescentes reabsorvidas da atmosfera, principalmente pelo oceano ou ecossistemas terrestres. Contudo, o alcance da meta net zero ainda não é uma realidade. Para que isso aconteça, as Partes da CQNUMC – principalmente representadas por países que são grandes emissores de gases de efeito estufa – precisam fortalecer significativamente suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) ou políticas climáticas, adotando medidas imediatas, ousadas e inovadoras para reduzir, de fato, suas emissões. O Pacto Climático de Glasgow, resultado da última Conferência das Partes (a COP 26) da CQNUMC, convocou todos os países a revisitar e fortalecer as metas de suas NDCs até o final de 2022, de modo a alcançar a ambição climática instituída no Acordo de Paris. É importante dizer também que o esforço para alcançar a meta net zero não se limita aos governos federais, podendo (e devendo) envolver a participação de entidades subnacionais, cidades, empresas e outras organizações que se comprometam com a redução das emissões o mais breve possível.


Para zerar essas emissões (meta net-zero), é fundamental considerar e preservar o Oceano tal qual o conhecemos hoje, pois a ajuda que ele vem dando aos seres humanos está custando caro a ele! Atividades como transporte marítimo, pesca, extração de recursos entre outras têm passado despercebidas na contabilização de emissões de GEE, ocasionando ondas de calor e acidificação, resultando na morte de corais e outros organismos, com impacto sério na biodiversidade marinha. E consequentemente em nossas vidas! Mais Áreas Marinhas Protegidas também devem ser criadas e implementadas, e ecossistemas costeiros devem ser restaurados para contribuir com a captura e o armazenamento de carbono, bem como para a proteção da costa, como medida de adaptação.


No caso do Brasil, é bom lembrar que todos os entes federados (União, Estados e Distrito Federal) têm o dever constitucional de proteger o meio ambiente, combater a poluição em qualquer de suas formas e preservar florestas, fauna e flora. Não obstante, possuem a competência para instituir políticas que fomentem pesquisa, desenvolvimento e inovação científica.


Sendo assim, e para deixar clara a importância do Oceano dentro deste processo, a Liga aposta nesta campanha e acredita que vestir lentes azuis para combater a "Miopia Climática" é fundamental para enxergarmos o Oceano, de maneira urgente e com a seriedade que o tema pede.


Se você ainda não teve a oportunidade de vestir seus óculos com lentes azuis, acesse o Insta da Liga e corra lá pra ver exatamente como a Terra é: azul!


Sobre a autora: Elisa Homem de Mello é jornalista e colaboradora de conteúdo da Liga das Mulheres pelo Oceano.

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