• Isabela Moreira

Refletindo sobre Oceano e o Clima

Desafio: Oceano e Clima Aumentar a compreensão do nexo entre oceano e o clima e gerar conhecimento e soluções para mitigar, adaptar e reforçar a resiliência aos efeitos das alterações climáticas em todas as regiões e a todas as escalas, e melhorar os serviços, incluindo as previsões relativas aos oceanos, ao clima e às condições meteorológicas.

Entrevistada: Débora Rodrigues


  1. Como você gostaria de se apresentar, conte um pouco sobre você.


Olá, eu sou a Débora Rodrigues, sou formada em Oceanografia e mestra em Geofísica pela Universidade Federal do Pará. Trabalho com temas voltados à modelagem numérica. Sou apaixonada pela natureza e pelo universo.

2. Qual a sua atuação profissional no momento?

Atualmente, eu estou iniciando o meu doutorado e trabalho no Laboratório de Pesquisa em Monitoramento Ambiental Marinho da Universidade Federal do Pará.

3. Qual a sua ligação com o oceano e como começou?


Não vou mentir, a minha ligação com o oceano em si nunca foi forte. Não tenho histórias de como eu me sentava na praia e olhava para as ondas salgadas. Porém, tenho sim um passado interligado com as águas que se conectam aos oceanos. Nasci e cresci na Amazônia. A minha infância e juventude foi esperar a maré encher, atolar na lama dos manguezais (perder os sapatos para ele na verdade), e olhar os siris saírem do buraco. Minha vida apenas foi assim, tranquila e sempre conectada com as águas da Amazônia.


4. Quais as suas expectativas para as ações da Década do Oceano no Brasil voltadas ao desafio Oceano e Clima?


Bem, o Brasil como um todo ainda tem muito caminho pela frente em relação à pesquisa oceânica e costeira. O exemplo que posso dar é a Amazônia. A pesquisa não é consistente, não tem uma longa série de dados, e é esparsa pelo amplo território. Primeiramente, eu espero que a Década do Oceano permita que a coleta de dados seja contínua, independente de projetos, mas sim, porque é uma necessidade. A partir disso, será possível gerar conhecimento e soluções para os efeitos das alterações climáticas. Eu também espero que permita o crescimento de pesquisadores, atuantes ou trabalhadores em assuntos relacionados e conectados ao clima e ao oceano.


5. Na sua visão quais são os principais desafios e oportunidades do tema Oceano e Clima no Brasil?


Na minha visão, um dos grandes desafios para o Brasil é conseguir abranger toda a sua extensão. Cada área do Brasil apresenta uma determinada condição climática e não é possível aplicar a mesma metodologia para todos os ambientes. Uma região de praias de costões rochosos não terá a mesma mitigação que praias de manguezais. Portanto, será necessário estudar cada área com muita atenção e dedicação. Uma das maiores oportunidades é o conhecimento que será gerado e sim, o aumento de empregos para esse setor. Além disso, para muitos espaços será possível prever alterações sem que estas aconteçam, evitando-as. Para áreas que já foram afetadas, será possível solucionar ou mitigar da melhor forma possível.


6. O que você espera da Década do Oceano no geral?


Eu espero que a Década do Oceano abra caminhos para a pesquisa oceânica no Brasil. Não apenas sobre o oceano, mas todo o sistema das águas. Este é um tema que muitas pessoas não aprenderam durante a vida e que não fez parte da vida delas, assim, podemos considerar como um tema recente para o Brasil. E tratar desse tema, engloba diversos outros, como alterações climáticas, resíduos sólidos, sociedade e ética, etc. Assim, eu realmente espero que com a Década do Oceano, as pessoas em geral possam evoluir seus conceitos, que entendam que os ecossistemas não estarão ali para sempre se não forem preservados, e que sim, as mudanças estão em nossas mãos.



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