16th International Coral Reef Symposium
- Colaboradoras da Liga

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Por Giovanna Destri
Não é novidade para quase ninguém que os recifes de coral ao redor do planeta estão enfrentando condições bastante desafiadoras nas últimas décadas. Dados mostram que eventos climáticos prejudiciais a estes ecossistemas estão cada vez mais intensos, duradouros e acontecendo em intervalos progressivamente menores. Mas calma, não quero perder sua atenção aqui. A ansiedade climática é tão real quanto as mudanças climáticas e, longe de mim, querer gerar mais ansiedade. Como alguém que estuda recifes há quase 10 anos, peço permissão para ter esperança. Vou explicar por quê.
Na última semana, entre os dias 19 e 24 de julho, tive o privilégio de participar do Simpósio Internacional de Recifes de Coral (ICRS), realizado em Auckland, na Nova Zelândia. Esse encontro ocorre a cada quatro anos e, em 2026, reuniu mais de duas mil pessoas de 93 países. Durante quase uma semana, acompanhamos apresentações sobre eventos de branqueamento globais e locais, mortalidade de corais e os desafios que a emergência climática impõe aos recifes e às comunidades costeiras dependentes do bem-estar deste habitat. O tom não foi de festa, quem trabalha com ciência sabe reconhecer a gravidade do momento, mas compreende que dados servem para orientar soluções, não para alimentar desesperança✨
A todo momento éramos lembrados de que conservar recifes nunca foi uma tarefa exclusiva da comunidade científica. As comunidades tradicionais, os povos originários, comunidades pesqueiras, gestores públicos, educadores, profissionais do turismo, artistas, comunicadores também apareceram repetidamente como parte da solução. Vimos pesquisadores apresentando técnicas de restauração, novas técnicas de monitoramento, projetos de educação ambiental e intervenções artísticas. Na primeira noite do evento, Ali Mariko, que pertence ao grupo Resiliência Immersive, circulou pelo saguão principal vestida de uma espécie de coral ramificado em processo de branqueamento. Em minutos você ia de admiração à emoção de presenciar o branqueamento. Trazendo a ideia de que arte também pode ser uma poderosa ferramenta de divulgação da crise climática. No decorrer da semana percebi que a conversa deixou de ser apenas documentar perdas e passou a ser, também, sobre construir caminhos.
Talvez esperança não seja acreditar cegamente que tudo vai ficar bem, independentemente do que fizermos. Isso seria ingenuidade. Talvez a esperança esteja em perceber que muitas pessoas dedicam suas vidas para garantir que os recifes tenham uma chance. Os corais e diversos outros organismos marinhos ainda precisam da redução da emissão de gases de efeito estufa. Porém, esse evento mostrou que os esforços da comunidade científica estão caminhando em várias frentes.
Daqui a quatro anos, essa conversa continua e será em casa! Em 2030, o Brasil terá a honra de sediar o próximo ICRS na cidade do Rio de Janeiro. Que até lá possamos chegar com melhores perspectivas para o bem-estar recifal. 🩵

Giovanna é bióloga pela Universidade Federal de Santa Catarina e Mestra em Oceanografia pela mesma instituição. Vive o melhor dos mundos seco e sub, conciliando a carreira acadêmica com a de instrutora de mergulho. Atualmente se dedica ao Doutorado no Instituto Oceanográfico da USP e estuda os efeitos das mudanças climáticas em ambientes coralinos do Atlântico Sul. É coordenadora assistente do maior programa de monitoramento de branqueamento de corais do Brasil realizado pela Rede de Pesquisa do Projeto Coral Vivo.



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