• Isabela Moreira

A pandemia e o silêncio do oceano



Com o avanço da pandemia no começo de 2020, muitas pessoas adotaram medidas de isolamento social e evitaram sair das suas casas. As cidades, estradas, navios, serviços não essenciais: todos parados. Mas quais os efeitos dessa diminuição das atividades humanas no mar e seres vivos que ali vivem? Cientistas visualizaram uma janela de oportunidade para colocar hidrofones no mar, de modo a monitorar quais eram os impactos sonoros percebidos no oceano. O objetivo desse estudo é descobrir como os seres humanos podem reduzir o barulho criado por eles no oceano para evitar diversos estragos na vida marinha. Para tanto, o objetivo é realizar três frentes da pesquisa: antes da pandemia, durante e depois.


Os impactos sonoros no oceano ainda são pouco conhecidos, mas segundo os cientistas e estudiosos, é preciso aprender mais com o “som do silêncio” para verificar de que forma todo o barulho que fizemos no oceano, durante os anos, afetou a vida marinha. Esse é um estudo importante para entendermos melhor como podemos desacelerar a mudança climática, ou reduzir a poluição, apenas diminuindo o volume dos barulhos dos mares gerados por navios, embarcações, plataformas de petróleo, entre outras atividades humanas.


As pessoas das cidades já puderam notar que ouvem o canto dos pássaros com mais frequência do que antes. Isso também acontece com a vida selvagem e com animais marinhos.


Um relato pessoal: sou da capital paulista, mas amo o oceano desde sempre. Todos os finais de semana busco ir até uma praia para estar mais em contato com o mar, contudo durante a pandemia ficou impossível por conta da aglomeração e pela maior parte das praias estarem fechadas - o que foi efetivo para o avanço da pandemia. Me arrisquei, quando houve a flexibilização das praias, numa quarta-feira de frio. Mar calmo, ninguém na água, exceto eu. Me deparei com uma tartaruga grande, nadando no raso, quando estava saindo. Em todos os meus anos de vida “praiana” eu nunca vira uma tartaruga marinha de perto no seu ambiente natural, ainda mais em Santos - litoral centro do Estado de SP.


Imagino que diversos outros relatos semelhantes ao meu aconteceram durante o ano de 2020. Animais, marinhos ou não, aproveitaram que não havia nenhum ser humano por perto para gozarem o sentimento de liberdade, pelo menos por ora.


No dia Mundial do Oceano, é importante repensar sobre quais os impactos sonoros que emitimos e como evitar que eles possam acontecer no futuro para preservação da vida oceânica.


Do mar veio a vida. A vida agradece.


Assinatura: Tayla Sanchez


Para saber mais:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-56706505


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