Liga das Mulheres pelo Oceano: 7 anos de atuação coletiva pelo oceano e pela justiça socioambiental
- Colaboradoras da Liga

- há 10 horas
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Por Paulina Chamorro
Leandra Gonçalves
Em 2019, nasceu a Liga das Mulheres pelo Oceano, movida pelo propósito de conectar mulheres comprometidas com a conservação marinha, a justiça socioambiental e o fortalecimento do papel das mulheres nos diferentes espaços relacionados ao oceano — da ciência à gestão, da educação à pesca, da comunicação à ação, da política pública à mobilização social. Sete anos depois, celebramos uma trajetória construída coletivamente, marcada por aprendizados, desafios e conquistas compartilhadas.
Nós que estivemos lá no início ainda lembramos com clareza daquele primeiro encontro: uma sexta-feira chuvosa, em um 8 de março em que não sabíamos se alguém atenderia ao chamado. Aos poucos, a sala foi sendo preenchida por mulheres, ideias e esperança por algo que ainda não sabíamos exatamente o que seria. O que existia, desde o começo, era a certeza de que seria construído a muitas mãos, mentes e corações. E de que o momento era aquele, o de transformar nosso amor pelo oceano em diferentes vozes de ação e protagonismo.
Ao longo desses anos, muitos mares foram e vieram. Enfrentamos ondas complexas, navegamos por contextos desafiadores e também celebramos avanços importantes. Mais do que resistir, aprendemos a construir caminhos em conjunto, fortalecendo uma rede baseada na colaboração, no respeito à diversidade de trajetórias e saberes e no compromisso comum com a conservação do oceano de forma justa, inclusiva e sustentável.
A “Liga” virou um espaço de troca, articulação e ação. Compartilhamos informações, ampliamos diálogos entre diferentes setores, apoiamos iniciativas lideradas por mulheres, nos posicionamos coletivamente diante de situações que representaram retrocessos para a conservação ambiental e para os direitos socioambientais, e estamos presentes nos principais debates que incluem o oceano, sua biodiversidade, conservação e as pessoas que dependem dele. Quando necessário, reagimos; quando possível, propusemos; e, sobretudo, seguimos atuando de forma propositiva e colaborativa.
Reconhecemos que a construção e manutenção de um movimento social trazem desafios contínuos. Divergências e dificuldades fazem parte de processos coletivos e diversos, e enfrentá-las com diálogo, escuta ativa e acolhimento tem sido fundamental para fortalecer nossos vínculos e manter o olhar sempre alinhado à missão e à estratégia que orientam a Liga desde sua criação.
Celebrar estes sete anos é reconhecer a potência de mulheres no trabalho em rede, e reafirmar o compromisso de seguir construindo espaços mais equitativos no campo da conservação marinha. Que o espírito que marcou aquele primeiro encontro — de construir, colaborar de forma horizontal e agir em prol de boas ações pelo oceano — continue guiando a Liga nos próximos anos. E que sigamos remando, ombro a ombro, por um futuro mais azul e justo.
Com amor,
Paulina e Leandra

Paulina é uma das idealizadoras da Liga das Mulheres pelo Oceano. Jornalista com mais de duas décadas de atuação em temas socioambientais. Atuou como produtora de campo em grandes expedições e tem profundo fascínio por estar em contato direto com a natureza. Desde 2016, é responsável pelo Vozes do Planeta Podcast, um dos primeiros podcasts brasileiros dedicados à temática socioambiental. Também é colaboradora fixa da National Geographic Brasil, onde conta histórias sobre conservação, biodiversidade, mulheres e oceano. Chilena de origem e residente no Brasil há muitas décadas, recebeu em 2016 a Medalha João Pedro Cardoso, concedida pelo Governo do Estado de São Paulo. Em 2019, foi homenageada com o título de cidadã paulistana pela Câmara Municipal de São Paulo, em reconhecimento à sua dedicação à comunicação ambiental.

Leandra é uma das idealizadoras da Liga das Mulheres pelo Oceano. Bióloga, atua como professora no Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Possui doutorado pelo Instituto de Relações Internacionais e realizou pós-doutorado no Instituto Oceanográfico da USP. Há mais de 15 anos, desenvolve pesquisas sobre diferentes dimensões da gestão e governança costeira e marinha, com foco especial na interface entre ciência e política, além das questões de gênero relacionadas ao oceano. Também integra o grupo de pesquisadores da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos.



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