• Barbara Veiga

Nós, mulheres, somos protagonistas na busca pela conservação do mar

Com a união da Liga das Mulheres pelo Oceano, podemos contribuir de forma significativa

para as metas propostas para a Década do Oceano


Minha relação com o mar começou muito cedo. Lembro-me sempre daquela alegria da

menina que morava no Centro-Oeste brasileiro em ir para o litoral nas férias.

A água salgada, a areia, o sol...


O tempo na praia era para apreciar conchas, encontrar tatuís nas areias, pular ondas e

correr atrás de marias-farinhas. A paixão pelo mar e por tudo o que era de origem marinha

foi só crescendo... Escolhi a Biologia por amor à natureza e aos animais, aguardando a

realização do meu grande sonho: um dia tornar-me bióloga marinha.


Ingressei no curso de Biologia na Universidade de Brasília. O curso me deixava feliz, mas

tive sempre o pensamento de traçar o meu caminho para alcançar a área que realmente me

interessava. Durante a minha graduação, tive a oportunidade de fazer um intercâmbio no

lugar que é o sonho de qualquer apaixonado pelo oceano: a Austrália.


Passei um ano a estudar em uma universidade referência na área de Biologia Marinha, The

University of Queensland. Além de ter uma " baita" experiência de vida, já que nunca tinha saído de casa, estudei com professores renomados, tive o privilégio de estagiar em um importante instituto de ciência marinha: o Australian Institute of Marine Science; mergulhei na Grande Barreira de Corais e pude contemplar a imensidão do Oceano.


Retornei ao Brasil com uma certeza: de que trabalharia em prol da defesa da vida marinha e

desse belíssimo ecossistema.


Terminei minha graduação um pouco sem saber o que fazer e que área da Biologia Marinha

queria me especializar, já que tudo me parecia interessante. Decidi, então ,ser voluntária

em organizações que atuam na conservação marinha, para que pudesse definir meu

caminho profissional. Fui voluntária no Projeto Tamar, no Projeto Farol das Baleias e na

ESEC Tamoios, uma Unidade de Conservação no estado do Rio de Janeiro.


Esta experiência me despertou ainda mais vontade de aprofundar meus conhecimentos, então, decidi que faria um mestrado e consegui uma bolsa na Universidade de Aveiro, em

Portugal, para o tão sonhado curso em Biologia Marinha.

Hoje estou a terminar o mestrado e me sinto mais preparada para ajudar ativamente na

conservação do oceano.


O tema que estou a desenvolver na minha tese é relacionado com Áreas Marinhas

Protegidas fora de jurisdição nacional e a elaboração de um acordo para a conservação e

uso sustentável dos recursos destas zonas. Este tema foi escolhido seguindo a minha

vontade de lutar pela preservação do oceano como um todo, não apenas de um animal ou

espécie, mas sim de todo o ecossistema marinho, abarcando sua imensidão, complexidade

e biodiversidade. O oceano não pode ser dividido nem fragmentado.


Na Primeira Avaliação Mundial dos Oceanos, que foi divulgada em 2016, o resultado mostrou que o oceano encontra-se seriamente degradado, gerando impactos em todo ecossistema.


A Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável ou Década do Oceano tem, portanto, um papel importante no sentido de voltar a nossa atenção ao oceano, promovendo a cooperação internacional para reverter o quadro em que este se encontra, com novas estratégias de adaptação, baseadas nas melhores evidências científicas que poderão ser utilizadas como ferramenta para tomadas de decisão, além de promover esforços para garantir o desenvolvimento sustentável do Oceano.


A elaboração do acordo internacional para promover o conhecimento e proteção do oceano também irá impactar na efetividade de áreas de proteção já existentes, além de avaliar e incentivar a criação de novas áreas, em oceanos profundos, permitindo que consigamos proteger importantes habitats e espécies associadas.


Como membro da Liga das Mulheres pelo Oceano, sinto que nós temos um maior poder de

fala, conquistando cada vez mais nosso espaço e sendo protagonistas nessa busca pela

conservação do mar. Com a nossa união, podemos contribuir de forma significativa para as

metas propostas para a Década do Oceano, com o empenho de cada mulher da Liga nas

mais diversas áreas.


Hoje, fazendo parte da Liga regional em Portugal, sei que mesmo longe de casa, em outro

país, existe uma rede de apoio entre nós para difundir o nosso conhecimento e tornar o

nosso propósito possível.



- Mariana Caldeira


Bio:

Brasileira, bióloga, mestranda em Áreas Marinhas Protegidas em Mar Profundo na

Universidade de Aveiro.Ciclista amadora e mergulhadora.

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