Poluição marinha e reciclagem: desafios e iniciativas da Década do Oceano
- Mariana Lopes Campagnoli
- há 1 dia
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Por Paula Pereira
O Brasil permanece ocupando a quarta posição entre os maiores produtores de resíduos plásticos do mundo. Dados de 2024 mostraram que o país gerou um total de 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU), incluindo orgânicos, recicláveis e rejeitos. Desse total, apenas 8,7% foram efetivamente reciclados. A geração média de RSU per capita no país foi de cerca de 1 kg por dia. Em relação aos recicláveis, estimativas de reaproveitamento variaram significativamente: latas de alumínio apresentaram taxas entre 95 e 97%, papel e papelão entre 60 e 70%, vidro cerca de 35%, aço cerca de 47% e plástico, apenas 21%, com destaque para embalagens PET, acima de 60%.
A coleta de resíduos ainda é um serviço que não alcança todas as regiões do país, favorecendo o descarte irregular a céu aberto em lixões, aterros irregulares ou terrenos baldios. Em relação à coleta seletiva, dados de 2023 apontam que aproximadamente de 60,5% das cidades brasileiras possuíam algum tipo de programa voltado à segregação de resíduos. No entanto, a coleta de recicláveis porta a porta ainda é um serviço muito reduzido e limitado em grande parte dos municípios.
Um estudo recente conduzido por pesquisadores do Instituto de Macromoléculas Professora Eloísa Mano, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou a presença de microplásticos em 70% das amostras de areia analisadas na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. O principal material encontrado foi o poliestireno expandido (EPS), popularmente conhecido como isopor, proveniente principalmente de quentinhas e embalagens para alimentos.
O EPS é composto por aproximadamente 2% de polímero e 98% de ar, característica que o torna leve e facilmente dispersável no ambiente. Embora sua reciclagem seja relativamente simples do ponto de vista técnico, o material apresenta desafios logísticos: apesar do baixo peso, seu elevado volume aumenta os custos de transporte e reduz o interesse econômico pela reciclagem. Além disso, poucas cidades brasileiras possuem infraestrutura adequada para o processamento desse tipo de resíduo.
Destaca-se também o papel fundamental dos catadores de materiais recicláveis. Estima-se que 9 em cada 10 kg de embalagens recicladas chegam à indústria de reciclagem por meio do trabalho desses profissionais. Além disso, cerca de 64% das unidades municipais de triagem são administradas por associações ou cooperativas de catadores, evidenciando sua importância para a cadeia da reciclagem e para a promoção da inclusão socioeconômica.
No contexto das ações da Década do Oceano, diversas iniciativas globais vêm sendo desenvolvidas para combater a poluição plástica marinha e fortalecer programas de reciclagem de resíduos. Muitas delas envolvem educação ambiental, recolhimento e reaproveitamento de redes de pesca, além de parcerias com comunidades tradicionais costeiras.
No Brasil, destacam-se algumas iniciativas relevantes:
• Oceanos de Plástico (Centro Universitário CESMAC): o projeto utiliza algoritmos desenvolvidos em Python e imagens do satélite Sentinel-2 para localizar, quantificar e identificar áreas com maior concentração de resíduos flutuantes em mares, lagoas e riachos da região de Maceió, em Alagoas. A iniciativa busca acompanhar toda a cadeia produtiva do plástico, integrando estratégias de descarte, reciclagem, combate à poluição marinha e desenvolvimento de alternativas sustentáveis para comunidades costeiras, incluindo geração de renda por meio da produção de artefatos de concreto contendo plástico triturado recolhido dos oceanos.
• Labsensores (Universidade Federal do Espírito Santo – UFES): o projeto propõe a reciclagem de plásticos descartados para a fabricação de filamentos para impressoras 3D fibras ópticas e fibras ópticas poliméricas, utilizando sensores ambientais voltados à medição da concentração de microplásticos e à análise da qualidade da água.
Além dos principais resíduos recicláveis já mencionados, diversos outros materiais necessitam de descarte adequado e não devem ser misturados aos resíduos comuns. Entre eles estão equipamentos eletrônicos, baterias, pilhas, lâmpadas, cosméticos e medicamentos vencidos, cartelas de remédios, tecidos e roupas sem boas condições para reutilização. Algumas empresas, farmácias e marcas já realizam ações de logística reversa, disponibilizando pontos de coleta para esses materiais.
Nesse contexto, o site eCycle se destaca como uma importante ferramenta, pois auxilia na identificação dos locais corretos para descarte dos diferentes tipos de resíduos, além de indicar pontos d
e coleta seletiva e reciclagem, especialmente em regiões onde esse serviço ainda não está disponível.